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"Parcimoniosa e paciente" com evolução do cenário local, Verde se volta para oportunidades globais

"Mercado não percebe um compromisso fiscal por parte das lideranças políticas", diz a mais recente carta da gestora de Luis Stuhlberger

SÃO PAULO – O contraste entre o cenário doméstico, com um lento avanço da vacinação retardando o processo de recuperação da economia brasileira, e o ambiente global de novos estímulos e retomada mais célere frente ao ritmo de imunização tem estimulado gestores de recursos do país a voltarem o foco para as oportunidades internacionais.

A Verde Asset, de Luis Stuhlberger, está no grupo das gestoras que enxergam negócios mais atraentes neste momento nos ativos globais. E ainda que a leitura seja de que a força da economia dos Estados Unidos já está, em boa medida, refletida nos preços do mercado americano, a avaliação é de que os riscos locais ainda exigem uma dose maior de cautela.

Em carta aos investidores referente ao desempenho no mês de março, os gestores da Verde apontam que a combinação da pandemia com a política e as contas públicas continua a gerar incertezas e prêmios de risco mais elevados nos ativos brasileiros, especialmente na curva futura de juros.

“O mercado não percebe um compromisso fiscal por parte das lideranças políticas e junta a isso o componente eleitoral de 2022, resultando numa demanda por prêmio como não víamos há muito tempo”, escrevem os especialistas, no documento.

Diante desse contexto traçado no âmbito doméstico, os gestores da Verde dizem que têm sido “parcimoniosos e pacientes” ao implementar posições no mercado local, pela avaliação de que uma resolução dos problemas na região não deve aparecer tão cedo.

Leia mais:
Mais Estados Unidos, menos Brasil: as apostas de Márcio Appel, da Adam, para contornar os riscos locais

Em fevereiro, diante da deterioração do quadro doméstico, a gestora de Stuhlberger já havia tomado a decisão de aumentar as proteções no portfólio, especialmente por meio do câmbio.

O cenário global, por outro lado, tem se acomodado em torno da vacinação e dos estímulos fiscais gerando “retomadas cíclicas poderosas”, apontam os especialistas. Mas ainda que os Estados Unidos estejam na vanguarda desse processo, a Verde ressalta que essa dinâmica já foi precificada, em grande medida, pelos investidores, tanto na alta das taxas de juros americanas como na força do mercado acionário da região.

Já a Europa estaria ainda alguns meses atrás, apesar de vários tropeços no meio do caminho.

“O contexto continua, em grande medida, favorável para ativos de risco globais, e o fundo, embora com reduções marginais, se mantém posicionado nessa direção”, diz a carta do Verde.

Em março, o fundo teve valorização de 1,47%, contra 0,20% do CDI, com ganhos nos livros de ações, tanto no Brasil quanto no exterior, e nas posições de juros globais. As perdas no mês foram marginais, oriundas da aposta comprada (que prevê a alta) em dólar e da pequena posição aplicada em juro real.

No primeiro trimestre, o fundo rendeu 1,91%, contra 0,48% do benchmark. Desde o início, em 1997, a valorização do Verde alcança 18.958%, ante 2.234% do CDI.

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